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Manual de Redação de Solicitação de Demanda (SD)

Como transformar uma demanda em entregáveis faturáveis, enquadrados e datados

Contrato: Pregão Eletrônico nº 29/2025 — Processo 1321127 · SES-MG × Isis Saúde


A regra que organiza tudo

O entregável é a unidade faturável. Ele carrega tipo, item, semanas, USTs e datas próprias. É por ele que se mede, se fatura e se controla saldo de pool.

A fase — Descoberta, Design, Arquitetura, Construção — não é um container. É um atributo do entregável, e o que define seu time-box.

ENTREGÁVEL
├── Tipo (Descoberta / Design / Arquitetura / Construção)  → define o time-box
├── Item do TR (I-02 / I-03 / I-04 / I-05)                 → define de qual pool debita
├── Semanas (2 a 4)                                        → define a duração
├── USTs = time-box × semanas                              → o valor faturável
├── Período (data inicial a data final)                    → quando aconteceu
├── Artefatos comprobatórios                               → o que prova
└── Critérios de aceite                                    → como se verifica

Duas consequências práticas:

  • Uma SD pode ter dois entregáveis do mesmo tipo, com escopos e datas diferentes. Não existe "a fase de Construção" — existem os entregáveis de Construção que a demanda exigiu.
  • Entregáveis de itens diferentes nunca se somam na mesma linha. Cada um debita de um pool distinto e é medido separadamente.

PARTE I — MONTAGEM DOS ENTREGÁVEIS


Passo 1 — Entenda a demanda

Três perguntas:

1. O que o cliente quer ver funcionando no final? Não o que precisa ser feito — o que ele quer ver.

2. Isso já existe ou é novo? Já existe e precisa mudar → manutenção. Nunca existiu → construção nova.

3. Qual é a natureza do trabalho? Construir um pedaço da plataforma? Automatizar um processo? Criar um dashboard? Treinar alguém?

Demanda com mais de uma natureza cruza mais de um item. Isso é normal — vira entregáveis separados.


Passo 2 — Decomponha em atividades

Blocos de trabalho que uma pessoa consiga explicar em uma frase. Não precisa ser granular.


Passo 3 — Enquadre cada atividade

1. É plataforma crescendo (módulo novo, fonte nova, conector novo)?  → I-02
2. É ensinar alguém a usar algo que já foi implantado?               → I-03
3. É automatizar tarefa repetitiva / corrigir algo em produção?      → I-04
4. É criar dashboard, algoritmo, IA, busca ativa, análise?           → I-05

Teste da estrada — para a dúvida clássica entre I-02 e I-04:

I-02 constrói a estrada. I-04 põe o piloto automático. Primeira vez que conecta ou constrói → I-02. Automatizar algo que já poderia ser feito manualmente → I-04.

Armadilhas frequentes:

Situação Item correto Por quê
Produto novo sendo construído I-02 Ainda não existe para ser mantido
Dashboard, índice, score, ranking I-05 É inteligência, não automação
App em produção com bug de interface I-04 Manutenção perfectiva
Regra de negócio nova no motor I-05 Evolução de algoritmo
Oficina de discovery pré-implantação I-05 I-03 é consultoria pós-implantação

Passo 4 — Agrupe as atividades em entregáveis

Agrupe atividades que compartilham o mesmo item e o mesmo tipo e que produzem um artefato final coerente.

Tipo O que entra Pergunta-guia
Descoberta Levantamento, mapeamento, investigação "O que eu precisava saber antes de começar?"
Design Visualização, UX, fluxos, protótipos, modelagem de regras "Como vai parecer?"
Arquitetura Planejamento técnico, modelo de dados, viabilidade "Como vai ser construído?"
Construção Implementação, teste, publicação "Está funcionando?"

Quando quebrar em mais de um entregável do mesmo tipo:

  • O escopo excede 4 semanas → quebre, porque 4 é o teto por entregável
  • Duas frentes rodam em paralelo com times distintos → entregáveis separados, mesmo período
  • Um pedaço pode ser faturado antes do outro → separe, para não travar o faturamento do que já está pronto
  • Atividades pertencem a itens diferentes → obrigatoriamente separados

Quando não quebrar:

  • Só para "ter mais entregáveis". Cada entregável custa USTs próprias — quebrar infla o orçamento sem entregar mais
  • Quando o resultado só faz sentido inteiro. Metade de um dashboard não é faturável

Nem toda demanda tem os quatro tipos. Uma oficina pode ter só Descoberta e Construção. Uma manutenção, só Construção. Tipo inventado para "ficar completo" é glosa esperando acontecer.


Passo 5 — Defina semanas e datas de cada entregável

Mínimo: 2 semanas (regra contratual)
Máximo: 4 semanas
Típico: 2 a 3 semanas
Se o entregável... Semanas
É simples, escopo fechado, poucas dependências 2
É médio, precisa de reuniões e validação 3
É complexo, múltiplos stakeholders, muita incerteza 4

Regras de data:

  • Entregáveis encadeados (um depende do outro) não podem se sobrepor. Se Descoberta e Design compartilham semanas, os mesmos perfis aparecem alocados a 200% — é achado de auditoria.
  • Entregáveis paralelos podem compartilhar período, desde que sejam times distintos. Declare isso explicitamente na SD, ou parecerá erro.
  • A data final de cada entregável é a data que habilita seu faturamento. Ela precisa fazer sentido contra a evidência: entregável que fecha em 31/05 não pode ter como comprovação um documento enviado em 14/06.

Passo 6 — Calcule as USTs de cada entregável

USTs = time-box × semanas

Time-box por tipo e item:

Descoberta Design Arquitetura Construção
I-02 40h 40h 40h 40h
I-03 40h 40h 40h 40h
I-04 40h 40h 40h 80h
I-05 40h 40h 40h 80h

Descoberta, Design e Arquitetura são sempre 40h. A única diferença está na Construção: 40h em I-02/I-03, 80h em I-04/I-05.

USTs prontas para copiar:

Semanas Desc / Design / Arq (todos os itens) Construção I-02 e I-03 Construção I-04 e I-05
2 80 80 160
3 120 120 240
4 160 160 320

Passo 7 — Defina os artefatos comprobatórios de cada entregável

Entregável ≠ artefato. O entregável é a unidade faturável. Os artefatos são os documentos que provam que ele aconteceu.

Quanto maior o valor do entregável, mais lastro documental ele precisa carregar:

USTs do entregável Artefatos comprobatórios mínimos
80 1
120 a 160 2
240 ou mais 3

Nomeie artefatos que existem de fato. Documento comprobatório inventado é pior que entregável sem comprovação — o primeiro é problema de integridade, o segundo é só pendência.


PARTE II — REDAÇÃO DA SD


Cabeçalho

Campo Regra de preenchimento
Cliente / Contratante Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG)
Contratada Isis Saúde
Contrato Pregão Eletrônico nº 29/2025 — Processo 1321127
Projeto / Solução Nome do projeto real desta demanda. Confira — é o campo mais copiado por engano
Nº da SD Sequencial
Versão V1, V2…
Data de abertura DD/MM/AAAA. Nunca escreva "não formalizada" nem qualquer confissão de irregularidade
Período de execução Da data inicial do primeiro entregável à data final do último
Item ou itens do TR Número e título literal. Se a SD cruza itens, liste todos
Quantidade total de UST Soma dos entregáveis, com número por extenso
Prazo de execução Duração do calendário, não a soma das semanas quando há paralelismo
Quantidade de entregáveis Número

1. Objetivo

Dois a quatro períodos. Diz o que a SD formaliza e qual resultado permite alcançar. Não repete o contexto.


2. Contexto e escopo da demanda

Três a cinco parágrafos:

  1. O problema de gestão — o que trava, o que a SES-MG não consegue fazer hoje
  2. O insumo disponível — o que já existe e por que não basta na forma atual
  3. O que a demanda entrega — a solução em termos concretos
  4. O achado ou resultado, quando houver
  5. O desdobramento — o que isso destrava adiante

Números reais e verificáveis. Se um número aparece na SD e outro no artefato entregue, a inconsistência aparece sozinha na primeira leitura cruzada.


3. Quadro de entregáveis

O coração da SD. Uma linha por entregável faturável.

# Entregável Tipo Item TR Semanas Time-box UST Período
1
2
3
Total XXX

Confira antes de seguir:

  • Cada linha: UST = time-box × semanas
  • Nenhum entregável abaixo de 2 nem acima de 4 semanas
  • Time-box de Construção correto para o item (40h ou 80h)
  • Períodos de entregáveis encadeados não se sobrepõem
  • Se há paralelismo, está declarado em nota
  • A soma da coluna UST bate com o cabeçalho

Quando a SD cruza itens, acrescente uma linha de subtotal por item — é assim que o controle de pool é feito.


4. Detalhamento dos entregáveis

Um bloco por entregável, na ordem do quadro. Quatro seções cada.

ENTREGÁVEL N — [Nome do artefato final]
Tipo · Item TR · X semanas · XX UST · DD/MM a DD/MM

Resumo
Três linhas. O que o entregável fez e o que produziu.

Atividades previstas
Bullets. Blocos de trabalho concretos, de seis a nove.

Artefatos comprobatórios
- [Documento com nome real e, quando houver, data]
- [Documento]

Critérios de aceite
Bullets. Condições verificáveis por terceiro.

Sobre os critérios de aceite — o teste é se alguém que não participou consegue dizer sim ou não olhando o artefato:

Serve Não serve
"Índice reproduzível: mesma base e mesmo código produzem resultado idêntico" "Modelo bem construído"
"Dashboard acessível pelos perfis indicados pela SES-MG" "Dashboard funcionando adequadamente"
"Toda pergunta do formulário mapeada à dimensão que alimenta" "Documentação completa"

5. Enquadramento no Termo de Referência

Seção obrigatória. É a que sustenta a SD se a fiscalização contestar o item — e é a que evita a reclassificação que muda o time-box de Construção e derruba as USTs pela metade.

Item do TR Número e título literal, exatamente como no TR
Descrição do item Transcrição do escopo do item conforme o TR
Aderência desta SD Bullets ligando o que foi entregue ao que o item prevê

Regras para os bullets de aderência:

  • Um bullet por componente entregue, de três a cinco no total
  • Use o vocabulário do item, não o vocabulário interno da equipe
  • Descreva o que foi construído, não o que foi discutido
  • Não cite componente que a SD não tem só para reforçar o encaixe

Exemplo — entregáveis de índice e dashboard (I-05):

Item do TR I-05 Serviços técnicos de inteligência e produtos analíticos de gestão em saúde
Descrição do item Serviços técnicos de inteligência aplicada aos dados da plataforma, compreendendo a concepção e o desenvolvimento de algoritmos analíticos, modelos de classificação, índices e dashboards gerenciais destinados a apoiar a tomada de decisão das áreas demandantes da SES-MG. Inclui extração de fenótipos, clusterização e priorização de populações e territórios, apuração de indicadores e disponibilização dos resultados em painéis, relatórios e produtos analíticos de gestão.
Aderência desta SD • Concepção do algoritmo de classificação em sete dimensões ponderadas, com penalidade, bônus de cadeia e normalização em escala de 0 a 100.
• Desenvolvimento do motor de cálculo que processa as respostas do formulário e atribui score e faixa a cada município.
• Construção do dashboard gerencial, com ranking, cadeia de envios por domínio e corte por macrorregião.
• Disponibilização do painel aos gestores da SES-MG como insumo de priorização das ondas de integração.

Quando a SD cruza dois itens: repita a seção 5 inteira para cada item, e indique quais entregáveis do quadro pertencem a cada um.


PARTE III — VALIDAÇÃO

Enquadramento

[ ] Cada entregável tem item definido (I-02 / I-03 / I-04 / I-05)
[ ] Produto novo está no I-02, não no I-04
[ ] Dashboard, índice ou algoritmo está no I-05, não no I-04
[ ] Automação de tarefa repetitiva está no I-04
[ ] Treinamento pós-implantação está no I-03
[ ] Entregáveis de itens diferentes estão em linhas separadas
[ ] Há subtotal por item quando a SD cruza itens

Cálculo

[ ] Cada entregável entre 2 e 4 semanas
[ ] UST de cada linha = time-box × semanas
[ ] Time-box de Construção correto (40h em I-02/I-03, 80h em I-04/I-05)
[ ] Soma da coluna UST bate com o cabeçalho
[ ] Entregáveis encadeados sem sobreposição de período
[ ] Paralelismo, quando existe, está declarado
[ ] Prazo do cabeçalho reflete o calendário, não a soma das semanas

Documento

[ ] Nome do projeto é o desta demanda, não copiado de outra SD
[ ] Número do item e título do item correspondem entre si
[ ] Título do item confere com a redação literal do TR
[ ] Números do contexto batem com os artefatos entregues
[ ] Produto tem um nome só ao longo de todo o documento
[ ] Nenhum campo confessa irregularidade
[ ] Cada entregável tem o mínimo de artefatos comprobatórios da sua faixa
[ ] Todo artefato citado existe de fato
[ ] Data final de cada entregável é coerente com a data dos seus artefatos
[ ] Todo critério de aceite é verificável por terceiro
[ ] Seção 5 preenchida com aderência específica, não genérica

ANEXO — Referência rápida

Enquadramento em 4 perguntas

1. É plataforma crescendo (módulo novo, fonte nova, conector novo)?  → I-02
2. É ensinar alguém a usar algo que já foi implantado?               → I-03
3. É automatizar tarefa repetitiva / corrigir algo em produção?      → I-04
4. É criar dashboard, algoritmo, IA, busca ativa, análise?           → I-05

USTs por entregável

Semanas Desc / Design / Arq Construção I-02 e I-03 Construção I-04 e I-05
2 80 80 160
3 120 120 240
4 160 160 320

Artefatos comprobatórios por entregável

USTs Artefatos mínimos
80 1
120 a 160 2
240+ 3

Conjunto típico de entregáveis (3 + 2 + 2 + 3 semanas)

Item Descoberta Design Arquitetura Construção Total
I-02 120 80 80 120 400
I-03 120 80 80 120 400
I-04 120 80 80 240 520
I-05 120 80 80 240 520

Estrutura da SD

Cabeçalho (identificação)
1. Objetivo
2. Contexto e escopo da demanda
3. Quadro de entregáveis (tipo × item × semanas × time-box × UST × período)
4. Detalhamento dos entregáveis
   4.N Resumo (3 linhas)
   4.N Atividades previstas (bullets)
   4.N Artefatos comprobatórios (nomeados)
   4.N Critérios de aceite (bullets verificáveis)
5. Enquadramento no Termo de Referência
   Item do TR / Descrição do item / Aderência desta SD

Documento de apoio à formalização de demandas — RMDS / SES-MG.